
"Antes de Einstein, desde o início da ciência grega até à aurora do século XXI,o espaço e o tempo eram concebidos como sendo «absolutos», quer dizer, era suposto existirem independentemente da matéria e dos observadores. Pensava-se que o tempo se escoava uniformemente, não dependendo da percepção humana ou da medição do relógio, que o passado era passado, e o futuro estava ainda por vir, e isto para todos, em todo o Universo.O artigo de Einstein abala estas concepções seculares sobre o espaço e o tempo [...]. Einstein diz-nos que o tempo vivido por um observador depende do seu movimento. Um gémeo sedentário e um gémeo que viaja não terão a mesma idade quando se encontrarem, no fim do périplo do viajante. E aqui reside uma revolução conceptual profunda que não penetrou, ainda, na consciência do homem comum. Antes de Einstein, o tempo era concebido como uma pulsão cósmica única, extensiva a toda a realidade, que ritmava o devir universal, batendo ao segundo de forma perfeitamente regular e simultânea em todo o Universo. Einstein diz-nos que a noção secular de "passagem do tempo", tradicionalmente comparada ao correr de um rio, é uma ilusão. Na verdade, segundo a formula [matemática]que ele regista no fim do seu texto, num segundo da nossa existência podemos fazer um salto ao futuro e ver o que «será» a Terra, digamos, daqui a 60 milhões de anos. Esse pensamento vertiginoso (hoje corroborado por múltiplas experiências) não prova que o futuro, aparentemente longínquo e ainda não realizado, é tão real quanto o «real presente»?
Como resumiria Einstein no fim da sua vida: «Para nós, que temos alma de físicos, a separação entre o passado, o presente e o futuro não tem mais valor do que uma ilusão, por muito tenaz que ela seja».
Thibault Damour, Junho-Julho 2008